 |
De acordo com uma revisão sistemática dos estudos acerca dos resultados da ansiedade na gravidez, os investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Texas descobriram que o facto de existirem sintomas de ansiedade durante a gravidez não está directamente associado com o aumento do factor de risco de complicações neste período, tais como um trabalho de parto mais prolongado, ou o nascimento do bebé com baixo peso. Estes resultados serão apresentados na 114ª Convenção Anual da Associação Americana de Psicologia (APA).
"A gravidez pode ser um período emocional para a mulher, e para algumas a ansiedade associada à gravidez pode ser agravada por problemaspré-existentes, tais como ter um sistema de apoio social pouco adequado", disse a autora principal, Heather Littleton, PhD, que juntamente com os co-autores Carmen Breitkopf, PhD e Abbey Berenson, MD, procurou avaliar a existência de uma relação entre a experiência de ansiedade na gravidez e quaisquer resultados perinatais adversos. A ansiedade foi definida com base nos níveis actuais de sintomas ansiogénicos, como sejam a tensão e a preocupação, ou como a tendência geral da mulher em ficar ansiosa em situações indutoras de stress.
Investigações anteriores neste campo, que examinaram a influência da ansiedade na gravidez como causa de efeitos prejudiciais, têm apresentado resultados distintos. Nesta meta-análise, em que foram abrangidos 39 anos e incluídos 50 estudos de 48 grupos de mulheres recrutadas de clínicas pré-natal e de outras unidades médicas, é clarificado que entre o leque de variações habitualmente experienciados nas pertubações emocionais da maternidade, não são evidenciados quaisquer efeitos nos resultados ao nível reprodutivo. Os dados perinatais foram obtidos a partir dos boletins clínicos dos participantes, ou de relatórios médicos.
Uma vez que não foi demonstrado que a ansiedade tem efeitos directos nos resultados perinatais, um número de resultados importantes que foram relacionados como tendo sido afectados pela ansiedade não foram analisados. Inclui-se o desenvolvimento da pré-eclampsia durante a gravidez e o peso reduzido da criança em fase de gestação. Para além disso, é necessário um trabalho mais profundo para determinar se estes resultados se generalizam para as mulheres com elevados níveis de
ansiedade, como é o caso das mulheres com desordens ansiosas.
"Esta revisão demonstra claramente que são necessária investigações adicionais para compreender objectivamente qual a melhor forma para tratar a ansiedade na mulher grávida", diz o Dr. Littleton, "e essa tarefa de avaliar a saúde mental e física da mulher durante a gravidez pode ajudar a aumentar o número de crianças saudáveis à nascença".
|
|