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Tendemos a resistir às inovações. Tendemos a resistir-lhes indefinidamente até que estas, porque pouco a pouco vamos acabando por perceber as suas vantagens e a habituar-nos à sua comodidade, se tornam parte integrante das nossas vidas, e já não concebemos prescindir delas. A E-terapia, à semelhança de muitas outras inovações, gera controvérsia no meio da saúde mental. Se uns a defendem com “unhas e dentes” e ousam explorá-la ao máximo, outros a criticam sem, por vezes, tentar perceber as mais-valias que esta poderá trazer.
Tendemos a pensar nas inovações como uma substituição para aquilo que já existe, quando por vezes não tem de ser desta forma. No campo da psicologia, na nossa opinião, falta por vezes a capacidade para ter uma visão holística das suas diversas áreas, meios e métodos de intervenção, a capacidade para pensar na psicologia como um todo, como um conjunto que só tenderá a beneficiar com uma abordagem multi-método e multi-intervencional.
Trata-se de pôr de lado os nossos cepticismos e ideias padronizadas e, aceitar que, as novas tecnologias poderão trazer novos contributos para a compreensão da mente humana. Não podemos assim fugir à evolução, e temos de assumir a Internet com um meio de comunicação de eleição e privilegiado por muitos, uma vez que, só aceitando esta evolução poderemos compreender a importância de esta se tornar parte integrante da terapia. Só aceitando a mudança e a evolução dos tempos poderemos evitar a estagnação e o sermos preteridos pelo avançar inevitável do tempo.
Neste sentido, surge, assim, o nosso interesse pela E-terapia. Porque não pretendemos deixar-nos estagnar no tempo, porque acreditamos que aceitar abordagens alternativas não diminui a credibilidade da área, mas sim a enriquece com novos contributos. Porque vemos a E-terapia não como uma alternativa à terapia presencial, mas como um meio de alargar o campo de alcance da psicologia, e de trazer até nós pessoas que nunca nos procurariam se tivéssemos de as afastar do seu mundo. E, porque acreditamos na escrita como um excelente meio terapêutico, encarando-a como um reflexo da nossa personalidade, que nos permite organizarmo-nos a nós próprios, ao esquematizarmos os nossos pensamentos.
Pensamos que, muitas vezes, o cepticismo em relação à inovação advém das más práticas, do fazer ganancioso e do abuso do poder profissional, porque, muitas vezes, se encaram as novas áreas e as inovações, uma vez que novas e desprovidas de princípios éticos ou regras de aplicação, como uma oportunidade de lucro fácil. Uma vez que, na maioria das vezes, o que é realmente importante não é o meio pelo qual é feita a intervenção psicológica, mas sim a competência e o profissionalismo com que é feito. É preciso aceitar a necessidade constante de aprendizagem e crescimento inerente à área da psicologia, e a necessidade de, como ciência humana, que estuda o indivíduo, aprender a crescer e a evoluir com ele e para ele.
A E-terapia funciona assim como um salto qualitativo no sentido da compreensão do indivíduo e dos novos padrões da vida moderna. Como uma alternativa, que surge como fundamental num mundo cada vez mais individualista, em que cada um por si, por vezes nos deixamos embrenhar e fechar na nossa “concha”, e onde se torna, muitas vezes, difícil encontrar tempo para pensar e cuidar de nós, encontrar tempo para pensar ou para procurar ajuda no meio dos inúmeros afazeres diários.
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